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RESENHA | ESTAÇÃO ONZE - EMILY ST. JOHN MANDEL

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

SINOPSE

Em uma noite de neve, um famoso ator de Hollywood cai e morre no palco durante uma produção de "Rei Lear". Horas depois, o mundo como conhecemos começa a se dissolver. Indo e voltando no tempo - desde os primeiros dias do ator como uma estrela de cinema para quinze anos no futuro, como uma trupe de teatro conhecida como a Sinfonia Itinerante percorre a terra desolada que restou - esse romance repleto de suspense e fascinante apresenta estranhas voltas do destino que acabam por conectar cinco pessoas: o ator, o homem que tentou salvá-lo, a primeira esposa do ator, seu amigo mais velho e uma jovem atriz da Sinfonia, através da mira de um perigoso profeta autoproclamado.


RESENHA

Há um tempo assisti uma resenha de Tatiana Feltrin a respeito do livro “As Virgens Suicidas”, de Jeffrey Eugenides, na qual ela caracterizava-o como “livro cebola”, se referindo ao fato de ser o tipo de romance no qual a leitura vai se desenrolando, ou melhor, descascando, até chegar num ponto onde é possível fazer conexões e perceber algo que inicialmente estava oculto. Um conceito muito interessante e que se aplica perfeitamente ao livro título dessa postagem.

Veja bem, Emily St. John Mandel conduz o leitor através de pontos de vista diversificados, brincando com a cronologia narrativa, e faz com que pequenos detalhes se mostrem grandiosos com o passar das páginas. A autora consegue transmitir, graças a uma escrita sem sombra de dúvidas brilhante, o cuidado que foi demandando para a construção desse universo pós apocalíptico e dos personagens que estão inseridos no mesmo. 

Não há nada a ganhar em ficar olhando para o naufrágio.

Em seu primeiro capítulo “Estação Onze” narra os acontecimentos na última noite antes da pandemia conhecida como Gripe da Geórgia, que viria assolar todos os países e matar milhões de pessoas. Arthur Leander morre durante sua performance como Rei Lear, Jeevan Chaudhary tenta inutilmente reanima-lo e Kirsten Raymonde chora nos bastidores enquanto observa a cena. Vinte anos se passam e vemos o quanto esses personagens estão interligados e como, mesmo após tantos anos e caminhos distintos, suas conexões permanecem.

Confesso que “Estação Onze” foi bem diferente do que esperava. Sem ler muito a respeito, iniciando a leitura quase que no escuro, me surpreendi com o grande quebra cabeças contido naquelas páginas e a surpresa era maior ainda a cada encaixe de peças. Esse estilo de escrita e construção de narrativa me lembrou muito o romance de Anthony Marra, “Uma Constelação de Fenômenos Vitais”, um dos melhores livros de ficção histórica que já li. 

O inferno é a ausência das pessoas de quem temos saudade.

Em suma, o livro de Emily St. John Mandel vai muito além de um cenário devastado por uma crise mundial; há uma série de críticas sociais, em especial ao homem e seu comportamento atual, o qual é extremamente individualista. Muito diferente do que dizem as opiniões negativas, "Estação Onze" não tenta ser, ele é. Incrível, emocionante, crítico e sincero. Definitivamente uma leitura recomendada.


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