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SOTERRADO - UMA BIENAL DO LIVRO

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Eis que após mais de uma semana repousando e me recuperando dos esforços da guerra, estou aqui para relatar as vitórias e a vida no mundo mágico conhecido como a Bienal do Livro. As chefes farão um relato próprio de suas experiências, mas acho justo começar, uma vez que descrevi o pré-jogo. Tenho a felicidade de afirmar que a vitória foi absoluta e incontestável.

A acessibilidade melhorou bastante. No passado eu precisaria descer do trem em Cascadura e pegar um ônibus lotado para a Bienal, levando mais de duas horas pra chegar ao Riocentro. Com o advento do BRT, o tempo reduziu bastante, tendo agora uma estação na porta do centro de convenções, fazendo com que o tempo caia pela metade e aumente a acessibilidade.

O Riocentro segue sendo a melhor opção para um evento dessa magnitude. Ótima localização e é o maior centro de convenções da América Latina. Ainda assim fui obrigado a ouvir que o evento exclui as pessoas da Baixada Fluminense, “é pros neguinhos da Baixada ficarem longe”, o que é algo absolutamente patético. Nem dá pra reclamar do preço do ingresso(24 inteira, 12 meia), o espaço lá é caro por um motivo, afinal. Aí sugeriram o Centro de Convenções Sulamérica, cuja localização não é tão boa nem o tamanho é aceitável para uma Bienal. Nem o Brasil Game Show eles conseguiram segurar no Rio. É patético e vergonhoso achar desculpas baratas para reclamar.

Sendo um sábado, nada mais justo o evento estar bem cheio já no lado de fora, com uma fila gigantesca das pessoas que compraram o ingresso pela internet e outra um pouco menor de quem decidiu comprar na hora. Essa segunda fila foi delineada por um grande cercado, um curral, na verdade, que teve um trajeto no sol, depois na bilheteria e de lá o sol de novo até entregar o ingresso e poder correr livremente.

Conforme eu disse no meu texto antes do evento, só não sai satisfeito da Bienal do Livro quem é preguiçoso e não procura. Aí essas pessoas reclamam que lá não tinha nada e estava tudo caro. Alguns de vocês certamente pensaram isso. Então como é que eu voltei de lá com quinze quilos de livros? Porque as pessoas geralmente são acomodadas, preguiçosas, não tem vergonha na cara, não sabem comprar. Muitos livros recentes e relevantes estavam a um preço acessível e falaremos disso agora.

Eu entrei pelo pavilhão laranja e muitas de minhas compras foram de lá. Garimpagem não é algo simples. Felizmente lá estavam os stands de livros a 10 reais, onde a corrida do ouro acontecia. Claro, o gosto de livros varia de cada pessoa, alguns reclamaram de não ter muita coisa ou preços bons, mas esses queriam livros acadêmicos. Eu fui por livros interessantes, eventualmente biografias ou alguns que tratavam de história recente.

Daquela wish list incompleta que fiz na pré-Bienal, só levei um livro, o do Simonal, cujo preço só caiu um real em relação à Bienal anterior, mas antes isso que nada. Descreverei os livros que comprei a 10 reais e vejam se não foi vantagem:


Collor Presidente - Marco Antonio Villa

Lançado ano passado e sempre a 30 reais na Livraria da Folha. Parece interessante pra fechar o ciclo que tenho com Notícias do Planalto e Morcegos Negros.

As Sete Vidas de Nelson Motta - Nelson Motta

Outro sempre a um preço alto nas livrarias. Parece ser um resumo de suas facetas, as quais conheço desde Notícias Tropicais, Resenha Esportiva e Vale Tudo.

Biografias

Johnny Cash

Leonard Cohen - Essa é uma surpresa estar barata, a morte dele ainda é meio recente.

Barão de Itararé

Neil Gaiman - Uma surpresa estar tão barata justo quando seu trabalho escrito está em alta por aqui.

Ricardo Amaral - Dá para achar em certas bancas por 30 reais, felizmente resolvi esperar.

James Brown - Um tijolo.

Carlos Santana - Outro tijolo.

Lobão - O livro que o recolocou na relevância, antes que o mundo virasse de cabeça pra baixo. Aguardei por anos a queda do preço.

Os Vencedores - Ayrton Centeno

Um tijolaço de 20 reais que descreve as trajetórias de nomes vencedores durante e após o golpe militar de 1964. Pode ser um complemento aos livros sobre a ditadura feitos pelo Elio Gaspari.

Franklin e Winston  - Jon Meacham

15 reais e parece ser um bom livro, principalmente se for tão bem feito quanto Reagan e Thatcher, o qual eu devo ter comprado durante as comemorações da morte daquela mulher horrível.

Cowboys do Asfalto - Gustavo Alonso

A trajetória da música sertaneja nacional, de suas origens até seu momento atual. Deve ter um capítulo inteiro falando mal de Lulu Santos(com razão) e isso será divertido.

Palavra Cruzada - Júlio Maria
Livro de entrevistas com celebridades. Não sei o que esperar. Vai pro próximo Guia do Consumidor.

Em Casa com Nabokov - Leslie Daniels

A moça vai morar numa casa e acha um manuscrito nunca lançado de Vladimir Nabokov. A orelha do livro diz que é divertido. Veremos.

Nêmesis - Peter Evans

Um dos melhores momentos de Sexo na Casa Branca é quando se aborda o triângulo amoroso de Kennedy com Onassis. Nêmesis se estende nesse tópico com detalhes, o que o torna promissor.

Jornal do Brasil - Belisa Ribeiro

Ano passado eu fui parar num sarau, antes de começar eu esbarrei nesse livro que estava lançando. Nunca caiu dos 55 reais e achei por 10. Trata de momentos e reportagens históricas do jornal contados por quem os fez, um ótimo livro até agora.

Azul é a Cor Mais Quente - Julie Maroh

Já se passaram anos do lançamento do filme e o preço do livro nunca caiu dos 40 reais. Na Martins Fontes finalmente teve 30% de desconto, então me senti obrigado a levar. E fechou a cota de HQs, uma vez que Devir e Comix estiveram fracas esse ano.

O que mais a dizer? Comprar nas editoras era geralmente suicídio. Intrínseca cobrou 50 no Deuses Americanos quando se pode achar por 30 no Submarino. No site, pois o stand tava com fila pra entrar por causa da lentidão do sistema. A existência de uma Americanas dentro da Bienal deve ter quebrado a praça de alimentação, pois os preços eram melhores e com menores filas. Era só ignorar as prateleiras cheias de biografias do Felipe Neto.

Dito isso, posso afirmar que a Bienal do Livro foi um sucesso absoluto e estou soterrado de livros. 


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