Top Social

RESENHA | EM ÁGUAS SOMBRIAS - PAULA HAWKINS

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

SINOPSE

Nos dias que antecederam sua morte, Nel ligou para a irmã. Jules não atendeu o telefone e simplesmente ignorou seu apelo por ajuda. Agora Nel está morta. Dizem que ela se suicidou. E Jules foi obrigada a voltar ao único lugar do qual achou que havia escapado para sempre para cuidar da filha adolescente que a irmã deixou para trás. Mas Jules está com medo. Com um medo visceral. De seu passado há muito enterrado, da velha Casa do Moinho, de saber que Nel jamais teria se jogado para a morte. E, acima de tudo, ela está com medo do rio, e do trecho que todos chamam de Poço dos Afogamentos… Com a mesma escrita frenética e a mesma noção precisa dos instintos humanos, Paula Hawkins nos presenteia com uma leitura vigorosa e que supera quaisquer expectativas, partindo das histórias que contamos sobre nosso passado e do poder que elas têm de destruir a vida que levamos no presente.

RESENHA


Não é de conhecimento geral, visto que não houve divulgação, que há alguns meses li "A Garota no Trem" e odiei. Classifiquei o livro como duas estrelas e meia apenas levando em consideração a escrita da autora que é, sem sombra de dúvidas, brilhante. Porém, minha avaliação baixa, se deve ao fato dos personagens daquele livro, ao meu ver, serem extremamente descartáveis e muitas pontas ficarem soltas, dependendo do leitor querer ou não amarrá-las. Sendo assim, após essa experiência ruim, fui ao encontro da segunda obra da autora lançada por aqui. 

E, bom, tomei um tapa na cara. Todo o preconceito estabelecido com sua primeira obra desapareceu em cerca de meia hora, o tempo que levei para ler quase sessenta páginas e mergulhar na história de Nel Abbott e os rastros que ela deixou para traz após sua morte. Em quatro partes e com inúmeros pontos de vista, que não seguem uma linha cronológica precisa, Paula Hawkins começa a traçar uma teia repleta de mistério, rancor, segredos, egoísmo e violência.

Você já causou estragos demais.

Em Beckford, uma pequena cidade litorânea, todos os personagens parecem ter muito a dizer sobre si mesmos e sobre aqueles que acreditam conhecer. Dessa forma, um dos pontos altos de "Em Águas Sombrias" é o leitor adquirir diversos olhares sobre determinado personagem e tornar-se, então, capaz de chegar as suas próprias conclusões - que nem sempre estarão corretas.

Em um thriller como esse é de se esperar que a autora surpreenda a cada página e Paula Hawkins faz isso sem pestanejar, entregando novas informações e mudando, sutilmente, o curso de alguns acontecimentos até que o desvio só seja percebido quando não há mais volta. Graças a essa característica e a estruturação curta dos capítulos "Em Águas Sombrias" se desenvolve muito rápido e, novamente, só percebe-se quando se chega a última página. 

Acredito que "Em Águas Sombrias" seja o primeiro passo ideal para qualquer pessoa que queira conhecer o trabalho da autora, visto que há muita expectativa ao redor de "A Garota no Trem" e esse é um aspecto que sempre desfavorece a leitura. Claro, Jules Abbott também é uma personagem difícil de se conectar, admirar ou entender, mas sua narrativa, combinada a de inúmeros outros personagens imperfeitos resulta em uma história inquietante onde segredos serão revelados e suspeitos desmascarados até o último parágrafo.



Post Comment
Postar um comentário