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RESENHA | À PRIMEIRA VISTA - DAVID LEVITHAN & NINA LACOUR

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Esqueça amor “à primeira vista”. Esta é uma história de amizade “à primeira vista”... ou quase.

Mark e Kate são da mesma turma de cálculo, mas nunca trocaram uma única palavra. Fora da escola, seus caminhos nunca se cruzaram... Até uma noite, em meio à semana do orgulho gay de São Francisco. Mark, apaixonado pelo melhor amigo — que pode ou não se sentir do mesmo jeito —, aceita o desafio que mudará sua vida. E sobe no balcão do bar em um concurso de dança um pouco diferente... Na platéia, Kate, fugindo da garota que ela ama a distância por meses e confusa por não se sentir mais em sintonia com as próprias amigas, se encanta pela coragem e entrega do rapaz. E decide: eles vão ser amigos. Em meio a festas exclusivas, fotógrafos famosos, exposições em galerias hypadas, essa ligação se torna cada vez mais forte. E Mark e Kate logo descobrem que, em muito pouco tempo, conhecem um ao outro melhor que qualquer pessoa. Uma história comovente sobre navegar as alegrias e tristezas do primeiro amor... uma verdade de cada vez.


Eu já havia mencionado antes que esse livro foi comprado muito no impulso. Estava fazendo compras para presente e ele apareceu nos recomendados. À primeira vista – trocadilho não intencional – o livro não parecia que seria do meu agrado por parecer somente mais um romance clichê onde os personagens se conhecem e imediatamente as faíscas brotam.
Hesito por um instante, e nesse momento ele estende a mão para segurar a minha. Como se sentisse minhas dúvidas.
Resolvi ler a sinopse mesmo assim, porque se a Amazon está me recomendando deve ser porque tem algo de relevante para mim. Quando vi a proposta de amizade à primeira vista e não de amor minhas anteninhas se aguçaram e meu interesse no livro - que até o momento estava abaixo de zero - subiu imediatamente para 100%.

Antes de abrir a obra e começar a leitura, fiz a rotina de sempre e pedi para todos os deuses que existem para que não me decepcionassem. O medo de que minhas preces não fossem atendidas era real e, a cada página que virada, ele crescia. Mas calma, o medo aumentava porque eu, a azarada e pessimista dos romances, me pegava pensando “isso está bom demais pra ser verdade, é nesse próximo capítulo que eu levo o tombo”.
Tecnicamente, é verdade. Mas a questão das possibilidades é a seguinte: tem algumas que você quer bem mais que outras. Ou apenas uma que quer mais que todo o resto.
Não vou mentir pra vocês e dizer “esse é um romance sem clichê algum”. Não, esse é um romance atolado de clichês e cada um deles é trabalhado com tanta beleza e tão delicadamente que eu sinceramente não liguei nem um pouco deles estarem ali. Depois de tantos livros decepcionantes, acabei esquecendo que clichês eram considerados clichês por um motivo: eles dão certo... quando bem usados, claro! 

O livro é dividido em dois pontos de vista - o de Mark e o de Kate – e eles vão se alternando durante a narrativa. Esses dois personagens são tão humanos em suas inseguranças, em seus ciúmes, em seus medos, em suas certezas. Era quase como se eu pudesse senti-los em cada uma dessas partes de mim mesma. Nenhum dos dois é descritos como seres perfeitos que não vêem seu próprio valor, o que muitas vezes é a escolha para protagonistas de romances, e ter duas pessoas que se aceitam e sabem o quanto valem e ainda sim possuem inseguranças deixou a história muito mais crível e tornou a caminhada deles muito mais próxima do real.
- O que está acontecendo com a gente, as decisões que estamos tomando ou não, as coisas que podemos controlar e as que não podemos são enormes. E as pessoas podem escolher esquecer como era com elas ou podem lembrar.
Apesar de não ter sido meu primeiro contato com David Levithan, foi a primeira vez que li qualquer coisa escrita por Nina LaCour e definitivamente não será a última. Honestamente, espero que algum dia esses dois venham a trabalhar em uma nova obra... talvez até mesmo nos trazendo um pouco mais da história de Mark e Kate.

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