Top Social

RESENHA | BLISS - LAUREN MYRACLE

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

SINOPSE

When Bliss’s hippie parents leave the commune and dump her at the home of her aloof grandmother in a tiny Atlanta neighborhood, it’s like being set down on an alien planet. The only guide naïve Bliss has to her new environment is what she’s seen on The Andy Griffith Show. But Mayberry is poor preparation for Crestview Academy, an elite school where the tensions of the present and the dark secrets of the past threaten to simmer into violence. Openhearted, naïve Bliss is happy to be friends with anyone. That’s not the way it has ever worked at Crestview, and soon Bliss is at the center of a struggle for power between three girls—two living and one long dead.

RESENHA


Durante o mês de outubro, também conhecido popularmente como "mês do horror", optei por leituras que possuíssem certo conteúdo sobrenatural. Logo, finalmente li "Bliss", que comprei no início do ano em inglês -a pesar de ser um título de quase dez anos atrás o mesmo nunca foi traduzido para o português. É uma pena que todos esses após sua publicação nenhuma editora nacional tenha se interessado por "Bliss", que na verdade é uma obra com grande potencial e que se difere bastante do que é comum ao gênero young adult

Primeiro: a obra utiliza acontecimentos reais e sombrios para traçar um paralelo com os pensamentos e ações da antagonista. Como? A trama se inicia no verão de 1969, a mesma época em que Sharon Tate foi assassinada pelo grupo comandado por Charles Manson. A "Família", como eram conhecidos, foi responsável por todos os assassinatos do Caso Tate-LaBianca e todos os julgamentos foram televisionados, tornando-se assunto frequente.

What is "power", anyway? Power is an ego trip. Power is a way to raise yourself up by lowering others, and I want nothing of it.

Segundo: a autora constrói uma protagonista que é inocente e visionária, num período em que a sociedade é um tanto extremista. Bliss in the Morning Dew, como o nome sugere, é filha de hippies e foi educada em casa durante toda sua vida. Quando a jovem se vê em meio a hierarquia social de um colégio privado sulista que indiretamente incentiva uma conduta racista ela simplesmente não compreende o porquê de tanta intolerância e porque não deve falar sobre o assunto.

Lauren Myracle aborda dois temas principais: o racismo de um dos estados mais tradicionalistas dos Estados Unidos e o bullying, bem como suas consequências. Uma vez que autora opta por tratar de duas temáticas fortes há quem critique a falta de voz ativa de sua protagonista, todavia, é preciso lembrar que Bliss é uma jovem de 14 anos tentando se enturmar e que mesmo assim vai contra o sistema hierárquico e defende suas crenças e aqueles que gosta.

After all, fourteen-year-old girls are just fourteen-year-old girls. They may bicker, they may hold silly grudges, but they certainly don't thirst for blood.

Apesar dos laços familiares estarem presentes, os mesmos não são muito explorados e isso acaba por abrir espaço para uma maior abordagem da vida de Bliss no ambiente escolar. Suas amizades são expostas e detalhadas para o leitor e, mesmo com pouco aprofundamento, seu relacionamento com Mitchell é agradável e real. Mas, novamente, não é o foco principal.

Quando assisti a resenha de Tatiana Feltrin sobre o livro, lá em 2003, me empolguei bastante com a premissa e desde então tornou-se meu objetivo literário encontrar uma cópia. Talvez minha ansiedade tenha estragado a leitura, ou não. Mas quando li as últimas páginas e o desfecho de Lauren Myracle para os acontecimentos me pareceu tão raso e até mesmo genérico quando, minutos antes, estávamos caminhando para um grand finale. No geral, não é um livro ruim... Apenas poderia ser melhor.


Post Comment
Postar um comentário