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VALE O QUE ESTÁ ESCRITO?

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

“Certo dia eu tirei uma nota baixa em química e ficaria em segunda época, me faltavam dois décimos e fui pedir ao meu professor. Ele me olhou e disse ‘Meu filho, a nota da minha prova é que nem jogo do bicho: vale o que está escrito.’” - D’AQUINO, Jair. Um ex-professor meu falando porque não adiantava chorar o décimo perdido em suas provas.

“A baiana e o gelo são os maiores produtos de exportação da Bahia. Hábeis na no preparo de deliciosos quitutes, alguns baianos, no entanto, preferem comer outras coisas, tais como feijão tropeiro, Chicken McNuggets e Paula Lavigne.” - O PLANETA DIÁRIO, nº31, agosto de 1987.

Finalmente pude ler a biografia de Wilson Simonal que busquei por anos, Nem Vem Que Não Tem - A Vida e o Veneno de Wilson Simonal. A investigação feita é ótima e esclarece pontas soltas que o bom documentário Ninguém Sabe o Duro Que Dei deixou, elucidando assim como toda a história de ser dedo duro foi espalhada e até onde ela era fundamentada para que esse estigma se eternizasse tal qual a Marca de Caim.

Por mais que tudo tenha começado com uma perseguição sistemática do semanário O Pasquim, a história nunca se consolidou até que Simonal, tropeçando em seu ego, desconfia que seu contador está desfalcando dinheiro de sua produtora. Ele já havia iniciado uma amizade com alguns militares, que em troca fizeram a segurança de alguns de seus shows. Eis que em 1971, ele aparentemente pediu a uns militares darem um susto nele pra tentar arrancar uma confissão do funcionário, que foi levado ao DOPS e torturado até assinar uma confissão.

Então o mais fascinante ou absurdo de tudo acontece: Simonal surge no dia de depor com um termo de declaração em seu nome explicando sua versão. Ele afirmou colaborar com o DOPS “com informações que levaram essa seção a desbaratar por diversas vezes movimentos subversivos no meio artísticos”. E ele assinou esse documento. É isso que torna a sua defesa difícil. Foi por isso que toda tentativa de tentar lhe dar redenção falhou a longo prazo, mesmo com Simona adquirindo documentos 20 anos depois da Secretaria de Assuntos Estratégicos afirmando que ele nunca colaborou com nenhum órgão de investigação. Ele teve apoio de amigos durante seu período de baixa e queda, mas nunca retornou ao seu posto de respeito e muito menos à condição de maior cantor do Brasil.

Por que eu falei de tudo isso? Caetano Veloso. Venho escrever essa parte vestido e protegido nas armas da responsabilidade jurídica. Conforme sabemos, o inglório MBL resolveu atacar Caetano por ter defendido a Queermuseu, aquela exposição do Santander que deu tanta confusão tempos atrás. A acusação foi de pedofilia, baseado na entrevista que Paula Lavigne deu à Playboy em 1998, afirmando que perdeu a virgindade com ele aos 13 anos, enquanto ele tinha 40.

O casal até processou o MBL, mas acho que dessa vez é complicado vencer, a declaração foi clara e bem documentada. Não adianta afirmar que era costume da época que continua errado. Não dá pra falar que foi casamento arranjado porque não estamos na Índia, onde isso é comum e ainda por cima é dentro da lei. As pessoas sabem diferenciar pessoas de suas obras? Claro que não, até por isso o futuro é incerto, ainda que se note a admiração de amigos e fãs. Isso provavelmente vai persegui-lo vez ou outra, mais ou menos como se vê com Marcelo Camelo e Mallu Magalhães, ainda que no caso dela ela já tivesse 16.

Eu nem sei como encerrar esse texto, pois a história provavelmente se desenvolverá mais um pouco. Madonna se ajoelhou diante de Caetano essa semana e já partiram pra cima dela. 2017 está um ano confuso. Fiquem com Simona cantando Alegria, Alegria.

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