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REVIEW | O ARTISTA DO DESASTRE

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

SINOPSE

Greg Sestero (Dave Franco) se aproxima do excêntrico Tommy Wiseau (James Franco) após uma aula de atuação e os dois desenvolvem uma intensa amizade ancorada no sonho em comum de fazer sucesso nas artes dramáticas. Juntos eles partem para Hollywood, onde Tommy, cansado de ser rejeitado em testes, decide produzir, financiar, dirigir, escrever e protagonizar - ao lado do melhor amigo - o longa-metragem que o catapultará ao estrelato: "The Room".

REVIEW

Poucas vezes na história o cinema B, onde filmes geralmente com baixo orçamento, um bom conceito (na mente de seus idealizadores) que por motivos diversos falham conseguem atingir a maioria do público e atingir um status cult. Ed Wood conseguiu fazer isso ao longo da carreira com filmes de baixo orçamento e qualidade, além de introduzir seu estilo de vida excêntrico em alguns de seus filmes. Foi o primeiro grande exemplo de fazer algo tão ruim que se tornava genuinamente bom, ou ao menos engraçado. Nos anos 1980 o maior exemplo foi Troll 2. Em 2003, quando o mercado de filmes B era diferente devido à forma que filmes de baixo orçamento eram distribuídos, surge The Room, de Tommy Wiseau.

O Artista do Desastre é baseado no livro "The Disaster Artist", de Greg Sestero, que foi um dos protagonistas, produtor e o mais próximo da voz da consciência para Tommy Wiseau. Wiseau é uma pessoa misteriosa e difícil de se imitar sem que se pareça falso ou inferior a imitado, o que torna a atuação de James Franco impecável e digna do Globo de Ouro que venceu, a performance de uma carreira. Dave Franco não compromete como Greg Sestero, mas não é muito expressivo. Alison Brie esteve irreconhecível, o que é um ponto positivo para a caracterização. Seth Rogen teve sua melhor atuação em um bom tempo.

Temos aqui uma mistura de Ed Wood (o melhor filme que Tim Burton e Johnny Depp fizeram na vida) com Feira da Fruta, o clássico brasileiro da internet, um dos primeiros memes modernos. As situações que encontramos os personagens durante a vida, a produção do filme e interagindo com Wiseau chegam ao realismo mágico. Um dos piores atores possíveis conseguir de formas desconhecidas, tão desconhecidas como sua verdadeira origem ou idade, 6 milhões de dólares para escrever, produzir, dirigir e ainda fazer uma premiere de sua obra é um grande feito.

Não é obrigatório ter visto The Room ou lido o livro, que ainda não foi editado no Brasil, para entender O Artista do Desastre, ainda que fazer isso dê um gosto especial a tudo. De fato, até te incentiva a assistir o original, pois no fim há uma comparação lado a lado das cenas originais com as recriações feitas pelo filme. James Franco finalmente consegue fazer um filme realmente bom e relevante após passar anos escrever e dirigir filmes alternativos que ninguém se deu ao trabalho de importar. Sua carreira pode ou não ter acabado com certas acusações no dia seguinte à sua vitória no Globo de Ouro, mas isso não tira o crédito do filme e o fato de que Tommy Wiseau subiu no palco de um prêmio de prestígio, o mundo que torce pela vitória do alternativo teve uma vitória naquela noite.

E é isso o que importa quando se faz um filme que uma carta de amor para o alternativo e suas influências.

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