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RESENHA | ESTAMOS BEM - NINA LACOUR

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018


Marin deixou tudo para trás. A casa de seu avô, o sol da Califórnia, o corpo de Mabel e o último verão agora são fantasmas que ela não quer revisitar. O retrato de uma história em que já não se reconhece mais. Ninguém nunca soube o motivo de sua partida. Nada se sabe sobre a verdade devastadora que destruiu sua vida. 

Agora, ela vive em um alojamento vazio e está sozinha no inverno de Nova York. Marin está à espera da visita de sua melhor amiga e do inevitável confronto com o passado. As palavras que nunca foram ditas finalmente se farão presentes para tirá-la das profundezas de sua solidão.

Volta Amanda com mais uma resenha de romance enquanto jura não gostar do gênero. Há um tempo li e fiz resenha de À Primeira Vista, um romance escrito por David Levithan e Nina LaCour. Depois daquela leitura, prometi para mim mesma que iria ler mais livros de Nina e esse ano e 2018 já começou com essa promessa sendo cumprida.

         Minha primeira leitura do ano não só é uma meta a ser riscada, mas também a primeira dica de livro LGBT de 2018. Assim como no meu primeiro livro da autora, minha surpresa se deu ao perceber que esse romance não era exatamente voltado para, bem, o lado romântico. Apesar da narrativa acompanhar duas amigas descobrindo seus sentimentos uma pela outra e, ao que dá a entender, autodescoberta, a história vai muito além disso. O romance é quase que um sub-enredo e não o personagem principal. Já que ele acompanha muito mais os sentimentos de Marin do que precisamente os sentimentos de uma pela outra.
         “Sei onde estou e o que isso significa. Sei que Mabel chegará amanhã, quer eu queria ou não. Sei que estou sempre sozinha, mesmo quando cercada de pessoas, então deixo o vazio entrar.”
         O livro, como dá para perceber pela citação acima, é escrito em primeira pessoa. Muitas vezes essa escolha pode ser um tiro no pé se não trabalhada direito, é muito mais fácil narrar quando se está do lado de fora da mente do personagem, mas Nina LaCour soube trabalhar os sentimentos e os pensamentos de sua personagem principal muito bem, sem ter que ignorar os dos personagens secundários.

         Apesar da história ser focada em Marin, temos bastante informação sobre as pessoas que a envolvem e conseguimos nos apegar facilmente a elas, o que torna a compreensão do que a personagem está passando e a conexão com ela muito mais fácil.
         “Você passa pela vida achando que precisa de tanta coisa. Da sua calça jeans, do seu suéter favorito. Da sua jaqueta com forro de pele falsa para manter aquecido. Do seu celular, das suas músicas, dos seus livros favoritos.”
         Eu havia dito que o romance era como um sub-enrredo. Isso é porque a história tem um mistério pequeno que se torna enorme. É um mistério que visto de fora quase não é importante, mas é algo que determina a vida e as decisões de Marin e é o motivo para essa história sequer existir.

         O maior mistério na vida da personagem é sua própria família, ou – alguns podem argumentar – a falta de. A menina vive com seu avô, mas depois da perda desse último laço familiar, algumas descobertas a fazem questionar se essa relação era real ou se valia alguma coisa. A incerteza do amor de seu avô por ela a destrói e durante grande parte do livro o leitor ficar sem entender o real motivo para essa dúvida. Quando a resposta vem, você não só entende o ressentimento de Marin, como de uma certa forma o divide.
         “Você acha que precisa de tudo.

         Até ir embora só com o celular, a carteira e uma foto da sua mãe.”
         Estamos Bem é um livro extremamente tocante do inicio ao fim e, no que eu pensei que saciaria minha vontade de ter mais Nina LaCour na minha estante, só me deixou com mais vontade de ler mais de suas palavras.

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