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O MERCADO CHINÊS: RACISTA OU SÓ ESTRANHO?

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

O mundo está mudando. Filmes não são mais voltados para o lucro ser importante em apenas um país. Por décadas o sucesso de um filme se resumiu em bilheterias americanas, em alguns casos filmes poderiam não fazer tanto sucesso financeiro quando lançado, mas conseguem lucro depois de indicados ao Oscar, Um Sonho de Liberdade é um grande exemplo disso. Ou então o filme vira um sucesso cult, às vendas de DVDs garantem uma sobrevida, continuações, etc.

Nessa última década o dinheiro vem mudando de mãos. Os chineses passaram a consumir mais, são autorizados a assistir 36 filmes estrangeiros nos cinemas, o que é uma corrida do ouro para os estúdios, que desde então sempre se esforçam para incluir produtos e personagens asiáticos para apelar a esse público, mesmo que isso afete a qualidade geral dos filmes. Sem falar de proibições específicas, filmes com fantasmas são proibidos devido a um culto local, assim Caça Fantasmas (2016) foi barrado.

Fazer filmes e lançá-los em mercados específicos não é novidade, ano passado a Universal lançou o filme do Pica Pau apenas nos cinemas brasileiros, pois somos o único país que se importa com o desenho a ponto de ser relevante. O filme será lançado em DVD pro resto do mundo em fevereiro, as pessoas estão chocadas pelo filme existir, mas no Brasil a aposta se confirmou certa, chegou ao primeiro lugar das bilheterias batendo Blade Runner 2049.

Exemplos de sucesso na China são curiosos. Transformers é um hit por lá, principalmente desde que houve aquele onde um terço do filme se passou por aquela área, não me pergunte qual deles, eu lembro que teve um onde destruíram o país ou algo assim. Outro exemplo é o glorioso Warcraft, um fracasso absoluto de bilheteria nos EUA, mas que recuperou o dinheiro e até conseguiu lucro por ser um blockbuster chinês, somente por isso teve sua continuação confirmada. Aquele último Exterminador do Futuro não foi necessariamente um fracasso de bilheteria, mas as pessoas do outro lado da Muralha amaram, só não terá continuação direta porque houve algum bom senso e bagunçaram ainda mais a linha do tempo.

A Disney nunca deixaria passar uma oportunidade de ganhar dinheiro novo, então começaram a agir ainda em Homem de Ferro 3, onde a versão local mostra que os médicos que fizeram a cirurgia em Tony Stark eram chineses. Com o advento de terem comprado Star Wars, surgiu um desafio curioso: vender um filme o qual o mundo tinha bastante expectativa graças a uma saga que se expande por quarenta anos para um mercado bilionário que nunca cresceu vendo esses filmes.

E aí tem que fazer isso enquanto ao mesmo tempo é necessário cobrir as bases no que diz respeito a agenda político-social, sempre haverá alguém reclamando de inclusão, aquele discurso militante com suas variações que esbarramos todo dia, com a diferença dos gringos serem piores que o pessoal daqui.

Os chineses não se importam. Não estão nem aí. Já no Episódio VII, John Boyega foi dramaticamente reduzido no poster, o que levantou questões por um tempo. Enquanto isso, nos EUA, fãs começavam a cobrar representação asiática na saga. J.J. Abrams falou o que todos gostariam de ouvir, mas a necessidade se mostrou real quando a bilheteria chinesa se mostrou abaixo do esperado. Assim, botaram Donnie Yen, um astro de Hong Kong, para Rogue One. Até ele notou que ele estava no filme basicamente para atrair o mercado asiático, o diretor o garantiu que não era por isso, mas é uma desconfiança bem plausível. No fim o filme rendeu menos grana na China do que O Despertar da Força, algo no mínimo preocupante.

E então entra O Último Jedi, um filme que causou amores e ódios, personagens questionáveis, ações mais ainda, pessoas considerando uma bagunça divertida, outras considerando uma porcaria que força certas agendas sociais. A atriz que fez Rose nem era chinesa, mas eles acharam o bastante pra dar o destaque que teve. Só que ela ter beijado Finn pode ter sido como um câncer para a bilheteria já combalida do filme, baseado no que vimos até aqui, faz sentido.

O fracasso na China foi maior que se imaginava. Começa que não estreou no primeiro lugar da bilheteria, perdeu pra segunda continuação de uma comédia romântica local. Então na segunda semana, rendeu 92% menos dinheiro. Os jovens não se atraem, acham o filme uma ofensa ao intelecto e que os atores não tem cara de Hollywood, que se Finn fosse interpretado por Will Smith, seria mais atraente. Star Wars falhou na China, tanto que esse desastre que será o filme do Han Solo, refilmado 4 vezes e ainda sem trailer faltando poucos meses para o lançamento, na China a Disney omitirá o nome Star Wars do título pra ver se assim atrai o público de volta.

Então chegamos à Pantera Negra, um filme que não pretendo ver. Um filme que atende todas essas agendas sociais e todo mundo está empolgado e doido pra pressionar e ofender quem se atrever a falar mal. Já há gente cobrando o filme pro Oscar do ano que vem. Kendrick Lamar fez a trilha sonora. 2018 será o ano! Enquanto isso, temos a foto que abre esse texto, de um lado é, como podem imaginar, o pôster chinês, do outro, o pôster padrão pro resto do mundo. E ninguém envolvido vai se dar ao trabalho de peitar os chineses, pois eles tem a grana e o poder para fazer operações pararem se forem contrariados. Como disse Cyndi Lauper um dia, money changes everything.

O que podemos aprender disso é que se temos Velozes e Furiosos até a eternidade, Transformers até a eternidade, um possível crossover dos dois e por aí vai, é tudo culpa dos chineses. Filmes ruins podem ser salvos graças a eles, Valerian e Geostorm fizeram mais grana que Os Últimos Jedis(não que seja um grande mérito, Jumanji não teve dificuldade  para tal no primeiro fim de semana). E que se o Episódio Nove fracassar na China, a Disney vai executar um Pica Pau Reverso, onde o filme é lançado nos cinemas no mundo todo, mas apenas em DVD na China e na Coréia do Sul.



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