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REVIEW | TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

SINOPSE
Inconformada com a ineficácia da polícia em encontrar o culpado pelo brutal assassinato de sua filha, Mildred Hayes (Frances McDormand) decide chamar atenção para o caso não solucionado alugando três outdoors em uma estrada raramente usada. A inesperada atitude repercute em toda a cidade e suas consequências afetam várias pessoas, especialmente a própria Mildred e o Delegado Willoughby (Woody Harrelson), responsável pela investigação.

REVIEW

Conforme sabemos, está todo mundo louco e todos nós estamos propensos a sucumbir a algum aspecto da insanidade a qual o mundo nos empurra por todos os lados. Uma das maiores que sempre existiu e voltou a ter mais evidência é a dicotomia, que o como dividimos as pessoas entre boas e más sem pensar nas nuances que cada um pode ter, geralmente algo motivado por ideologias, vinganças ou por ser uma forma para pessoas limitadas se sentirem confortáveis para se expressar e acreditar em algo. 

Três Anúncios Para um Crime é um filme que a primeira vista poderia ser uma celebração à dicotomia, seria muito fácil de ser feito se houvesse um diretor barato envolvido, mas Martin McDonagh escreveu e dirigiu um filme exemplar, que ao mesmo tempo tem como pano de fundo um tema grave e ainda assim consegue arrancar risadas sinceras com um humor extremamente ácido. 

Poucos filmes abordam a dor de formas diferentes, com pessoas diferentes, às quais seria fácil de se rotular como bons e maus, quando no fim todos, em especial os três principais, tem nuances e variações ao longo do filme, algum crescimento, ninguém é totalmente bom ou maligno, nem todas às decisões tomadas podem ser consideradas moralmente corretas, mas são coerentes com o universo do filme, uma cidadezinha no meio dos Estados Unidos. 

Frances McDormand vem tendo atuações consistentes desde sempre, ainda que sem sempre seja lembrada pelo grande público, e isso com ela vencendo um Oscar com Fargo(1996), que virou série no Netflix. Foi uma atuação merecedora de Oscar, um papel para eternizá-la, se houver justiça. Muito comum seria se um personagem movido por vingança fosse simplesmente frio e determinado, só exibindo emoções após o objetivo ser cumprido. É justamente o contrário do que acontece aqui. 

Sam Rockwell faz uma das melhores atuações de sua vida, seria muito conveniente que ele se tornasse o “vilão” da história, mas às relações humanas fazem a diferença. A profundidade oferecida faz com que o filme seja especial. Woody Harrelson também eleva o patamar desse filme. 

Um filme intrigante, onde nem sempre a justiça é obtida como se esperaria, mas que tem mais a ver com a jornada do que com o destino filme. Altamente recomendável, algo pode ser aprendido e aplicado para nossas vidas.


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