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MÚSICA INSPIRADORA E SEUS TRIBUTOS

sexta-feira, 23 de março de 2018

Artistas, em especial músicos, começam a carreira, entram nessa área de interesse, graças a inspiração que outro música deu. Por exemplo, Roberto Carlos, Tim Maia e Erasmo Carlos se inspiraram a fazer algo diferente de apenas rock quando ouviram João Gilberto cantando Chega de Saudade pela primeira vez, foi a pedra fundamental para se desenvolverem. Dos três, Tim Maia fez um disco cantando Bossa Nova em 1990, mas não é dele que falaremos hoje.

Hoje juntarei três álbuns com o mesmo conceito e falarei deles baseado nesse conceito. Hoje temos An Innocent Man, de Billy Joel, Sleeping With The Past, de Elton John e Going Back, de Phil Collins. Os três foram inspirados basicamente pelos mesmos artistas, então há coerência.

An Innocent Man (1983)

Aqui temos uma homenagem aos estilos populares dos anos 50 e 60, com foco especial no doo wop (música a capella) e no soul. É um álbum predominantemente feliz e tem história. No fim de 1982, Joel estava recém divorciado e tinha finalizado a turnê do Nylon Curtain. Assim, ele finalmente pode tirar férias em lugares ensolarados. Nesses lugares ensolarados, ele começou a tocar piano, quando olhou pra cima, estavam lá o admirando Elle Macpherson e Christie Brinkley. Ele namorou com as duas e se casou com a segunda.

O ponto é que às circunstâncias o deixaram feliz, se sentindo um adolescente de novo e inspirado a compor, tanto que as músicas foram feitas em 6 semanas. E, pra quem não conhece muita coisa dele, uma de suas qualidades é conseguir fazer algumas de suas melhores músicas quando está cortejando alguém. Ele fez Uptown Girl e Christie Lee para sua futura esposa para conquista-la. E até se deu ao trabalho de dançar no clip da primeira. Elle Macpherson ganhou uma música no término, mas ela ficou engavetada por 6 anos por não encaixar nesse álbum e no seguinte.

Primeiramente é bom afirmar que o álbum por si só é quase perfeito, com a exceção de uma música. Se for ver o lado conceitual, é um dos melhores álbuns-tributo. E tudo isso com a voz no auge. Somente assim para Easy Money ser uma música possível. Homenagens feitas por quem sabe o que está fazendo torna tudo melhor. Há um dvd de greatest hits onde ele explica a inspiração para a canção título, que é magnífica. A inspiração foi no fato de achar o rock com pitadas latinas um tanto atraente, usando como exemplo Stand By Me e depois Under The Boardwalk, mostrando como se encaixa.

É animado e/ou romântico, This Night e Leave a Tender Moment Alone são músicas que você imaginaria num baile jovem daquela época. Easy Money já mostra como será a jornada ainda na bateria inicial, a melhor emulação possível de James Brown. Christie Lee tem toda a loucura no piano de um Jerry Lee Lewis. Tell Her About It teve até mesmo Ed Sullivan no video clip. A única música que fica um pouco abaixo, mas coerente com o resto do álbum, é Careless Talk.

Um dos melhores álbuns já feitos, não foi devidamente premiado porque deu azar de surgir no mesmo ano de Thriller. Mas convenhamos que é uma honra perder pra Thriller. 1983 foi um ano muito forte musicalmente, mas isso merece um artigo próprio.

Sleeping With The Past (1989)

Eu falei desse álbum quando avaliei sua discografia de 1988 pra frente. O segundo depois da cirurgia dos nódulos, o último antes da reabilitação. Aquele da época que ele tá de cabelo branco e aquele chapéu. O de Sacrifice. Aquele que ele gravou na Dinamarca pra não ter de pagar impostos.

Aqui Bernie Taupin ouviu soul dos anos 60 e se inspirou nele para fazer as letras. Na hora de fazer a melodia, Elton usou mais de uma fonte de inspiração para determinadas músicas, em outras, claramente apenas uma foi usada. Isso e o fato de não ter pego necessariamente hits pra se inspirar pode dificultar a reconhecer as músicas originais, o que é ótimo, pois faz com que as músicas se garantam com seus próprios méritos.

Alguns nomes são constantes entre os homenageados, é a segunda vez que se paga tributo a Smokey Robinson e ao The Drifters, em ambos álbuns rendendo algumas das melhores músicas do trabalho, sendo elas aqui a canção título e Club In The End Of The Street. Imaginaria-se que usar como inspiração I Heard It Through The Grapevine, a qual ele cantava uma década antes renderia um hit. Não foi o caso, o que rendeu foi se inspirar em Aretha Frankiln e Percy Sledge (aquele de When a Man Loves a Woman) pra fazer Sacrifice, uma música que é melosa o bastante pra dar diabetes em alguém, é extremamente romântica, alguns chamariam de cafona, outros de música de motel, mas é um hit e tanto.

Por um lado é diferente do que normalmente Elton entregaria, por outro, ainda que tenha músicas boas, o estilo que é homenageado nem sempre é reconhecível. O que é ruim conceitualmente, mas não para aproveitar as músicas, caso contrário nem poderia chegar perto de Durban Deep, que abre o álbum e é uma boa música.

Going Back (2010)

Por que criar algo baseado no que te inspirou no passado se você pode regravar, de preferência com as mesmas pessoas daquela época, e assim recriar as sensações de quando você as ouviu e tocou pela primeira vez? Foi o que fez Phil Collins sair da semi aposentadoria e superar os problemas de saúde. A intenção de fazer um disco velho, não tentar adicionar algo novo para essas canções, isso de forma positiva.

Está igual, simples assim. Ele conseguiu convocar Funk Brothers (a banda que tocou na Motown de 1959 a 1972) sobreviventes para tocar igual aos discos, Collins se deu ao esforço de prender baquetas nas mãos com fita para conseguir tocar, uma vez que ele está surdo do lado direito e teve problemas na vértebra que dificultam tocar bateria. Tudo se resume a você gostar de voz de Phil Collins ou não. Ou então preferir versões dessas músicas feitas por outras pessoas. De repente você prefere uma outra versão de Papa Was a Rolling Stone ou Dancing in the Street. A vantagem é que ele também escolheu algumas músicas mais obscuras, então quem é mais novo acaba descobrindo coisas novas e isso também mostra a dedicação com a pesquisa do repertório.

É isso, conceitualmente é o mais esforçado, tanto na parte técnica quanto na parte física, não há muito o que ser dito pois não há como questionar a qualidade do material original, Collins é acima da média produzindo e cantando. É algo alternativo aos originais por detalhes. Se tiver a chance, corra atrás da versão deluxe.

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