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ADAPTAÇÕES - UM CASO DE AMOR E ÓDIO

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Segundo o dicionário, "adaptação" significa ação ou efeito de adaptar-se; ajuste de uma coisa a outra, ou seja, algo que utilizou determinado material como base para transformá-lo em algo novo. E, caso tenhamos sorte, o material base, que aqui chamaremos de LIVRO, foi respeitado durante o processo. Mas por que falar desse assunto? Porque sempre que uma adaptação cinematográfica chega aos cinemas de todo o mundo ocorre um embate entre aqueles que preferem o livro e aqueles que preferem o filme.

Recentemente "Jogador Nº 1" chegou aos cinemas, dirigido por Steven Spielberg e roteirizado por ninguém menos que o próprio autor, Ernest Cline. Publicado há quase sete anos, o livro foi o queridinho de muitos leitores durante um longo tempo e a promessa de uma adaptação fiel acabou sendo feita implicitamente quando Ernest Cline pareceu estar ativamente envolvido no projeto. Porém, não foi o que aconteceu. De forma alguma é uma adaptação que rasga a obra literária na qual foi inspirada e segue um rumo completamente novo; como ocorreu em 2013 em "Percy Jackson e o Mar de Monstros". Ernest respeita seu livro, entretanto o autor entende que mudanças são necessárias e que, para agradar leitores e atrair novo público, é preciso encontrar um meio termo. 

Constantemente esquecemos que determinados aspectos que compõe a narrativa de um certo livro podem não ser visualmente apelativos quando os mesmos são transportados para a tela grande. "Cidades de Papel", por exemplo, é um livro popular entre os fãs de John Green, entretanto, não é a obra mais amada do autor e quando a mesma ganha uma chance nas salas de cinema acaba não tendo apelo suficiente para atrair novos fãs, visto que algumas sequências fazem maior sentido para aqueles que leram a obra. 

"A Seleção" de Kiera Cass optou por seguir um caminho mais seguro tentando a sorte na televisão, porém, mesmo após duas tentativas de piloto, com elencos completamente diferentes, não deu certo. Por quê? Porque nos recusamos a admitir que muitos autores utilizam a mesma fórmula e que, caso não haja algo inovador, estamos consumindo conteúdos extremamente similares. E isso, na mídia, resulta em uma repetição que não é desejada por ninguém, pois há muito mais investimento envolvido no processo de produção. 

É claro que, num mar de adaptações frustrantes, sempre existirão aquelas que conseguem agarrar-se a um bote salva vidas e gerarem discussões sobre qual formato é o melhor. Assim como vem ocorrendo com "Jogador Nº 1", outras adaptações geraram burburinho entre os fãs na época do lançamento: "Jogos Vorazes", "A Culpa é das Estrelas", "Divergente" e até mesmo "Percy Jackson e o Ladrão de Raios", que mesmo deixando a desejar no quesito adaptação é um filme que entretém e o verdadeiro responsável pela fama do livro por aqui. 

Mas por que falar desse assunto mesmo? Porque, segundo o dicionário, "opinião" significa maneira de pensar, de ver, julgar; julgamento pessoal e isso é outra coisa que nos recusamos a admitir. Pensamos diferente, temos gostos diferentes, somos tocados de formas diferentes. Tudo bem gostar mais do livro. Tudo bem preferir o filme. Não existe certo ou errado, existem pessoas apaixonadas por uma história em comum, independente do formato na qual a mesma é contada. Quando nos dermos conta disso, estaremos acedendo a luz no fandom.

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