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RESENHA | PROIBIDO - TABITHA SUZUMA

segunda-feira, 11 de junho de 2018

SINOPSE

Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis. Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes. Eles são irmão e irmã.

RESENHA


Após concluir uma leitura polêmica sempre me questiono sobre fazer ou não a resenha, uma vez que minha opinião pode ser mal interpretada e acabar ofendendo alguém, mesmo que não tenha essa intenção. Escrever sobre "Proibido" tem sido uma tarefa difícil que, ao longo dos meses após a leitura, rendeu folhas amassadas e documentos deletados. É complicado falar sobre o tema abordado nesse romance que, justamente por ser um romance, gerou tanta polêmica quando lançado e provavelmente ainda vai gerar nos anos a seguir.

Porém, é preciso tentar escrever a respeito (de novo) porque um livro cujo tema principal é o incesto entre dois irmãos se tornou um dos meus favoritos do ano. E as pessoas precisam saber o porquê. Mesmo que não sintam vontade de ler, no fim das contas, mas a minha experiência de leitura deve ser compartilhada, independente do conteúdo.

É horrível sentir vergonha de alguém que você ama; é uma coisa que te rói por dentro. E, se você deixar que te afete, se desistir da luta e se entregar, a vergonha acaba por se transformar em ódio.

Filhos mais velhos de um casal divorciado, Maya e Lochan têm a obrigação de cuidar dos irmãos mais novos há anos e são as únicas figuras responsáveis num ambiente familiar disfuncional. Sua mãe, alcoólatra e mentirosa compulsiva, quase não aparece em casa, o que faz com que os dois vivam sob o medo constante de serem descobertos pelo serviço social e separados, uma vez que seriam mandados para lares adotivos diferentes.

Nessa configuração completamente fora do ideal, Maya e Lochan acabam sendo o porto seguro um do outro, visto que apenas podem conversar abertamente entre si sobre aquilo que acontece em suas vidas. Não se pode confiar em colegas de classe ou professores, pois ninguém aceitaria dois adolescentes cuidando dos irmãos mais jovens. Essa confiança e lealdade só pode existir entre eles, o que acaba limitando suas relações fora do ambiente familiar e até dentro do mesmo, pois seria injusto depositar suas frustrações nos mais novos.

É essa relação de codependência que Tabitha Suzuma toma como ponto de partida para desenvolver um romance proibido entre seus protagonistas. Nada romantizado, mas talvez minimamente justificado pela condição a qual foram submetidos desde sempre. Maya e Lochan sabem que seu relacionamento é errado e procuram, ao máximo, evitá-lo. Porém, sua rotina familiar os transformou, indiretamente, em um casal e o desespero por ter alguém a quem se agarrar faz com que ambos acabem, por fim, aceitando aquilo que lhes foi dado.

Mas como explicar ao mundo exterior que Lochan e eu somos irmãos apenas por causa de um acidente biológico? Que nunca fomos irmãos na acepção da palavra, mas sempre parceiros, tendo que criar uma família real à medida que crescíamos? 

Enquanto lia sobre o relacionamento desses dois personagens mantive plena consciência de que estava lendo sobre irmãos cometendo incesto consensual mas, caso esquecesse, lá estava a autora me lembrando. Como disse, Tabitha Suzuma não nos deixa esquecer e, mesmo que não concorde com a situação, sua escrita perfeitamente poética faz com que o leitor queira entender aqueles personagens - sólidos, bem construídos, emotivos, vivos. E assim Maya e Lochan ganham nossa companhia até os últimos capítulos, quando os níveis de angústia atingem números absurdos. Como era de se esperar, não há um final feliz - afinal, é uma narrativa sobre incesto - mas há um final... De cortar o coração e que deixa a certeza de que Tabitha Suzuma irá brilhar no mercado literário.

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